quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

#Vazio - A Fome das Sombras (3)


Temendo que não apenas vento viesse daquela vez, aventuraram-se para além do parapeito da muralha, encontrando um ponto de declive bastante acentuado, mas no qual foram capazes de se manter em nível inferior ao da estrada. Aguardaram alguns minutos. Nenhum ruído se produziu. Sem visão do oceano não foram capazes de assistir o vento se anunciando no horizonte azul, mas ele não tardou em chegar. Com a mesma força das demais ocasiões, soprou ruidoso sobre suas cabeças, levando violentamente ondas de névoa. Soprava com força, mas não trazia qualquer objeto, corpo ou criatura. O vento soprou para o distante Oeste toda a névoa, devolvendo ao mundo o céu azul e a luz imponente do Sol.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

#Vazio - A Fome das Sombras (2)


- Ainda quer ir, mesmo vendo o que veio de lá? Você acha que consegue andar?
- Não temos outro lugar para ir. Se tudo nos empurra para o Oeste, melhor dar um pouco de trabalho, não?
Valdomiro riu. Ajudou o homem ferido a se levantar e esperou que se vestisse. Marcus notou que o guardião também estava ferido, mas bem menos que ele. Tivera um pouco mais de sorte.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

#Vazio - A Fome das Sombras


Tinha plena consciência tanto do objeto ao qual desejava remeter quanto da posse de seu nome, mas naquele momento crucial, o nome se escondida em algum canto de seu espírito. Semanas depois o nome brotou-lhe da alma, como se fosse novo, mas revestido da frustrante certeza de que sempre estivera lá. Lembrou-se da palavra “engrenagem” por conta destes eventos, pois eram análogos ao que experimentava ali, sozinho no escuro. Por um momento sentiu-se possuidor de todos os mistérios, conhecedor da causa primeira e do motivo último. Por um breve momento soube. Mas o momento passou. Restava apenas uma sombra. Algum tipo inexplicável de certeza de que havia tocado uma verdade, mas a verdade em si, ignorava. Se dominasse o próprio corpo teria suspirado, mas nem isto lhe foi permitido.