Temendo que não apenas vento viesse daquela vez, aventuraram-se para além
do parapeito da muralha, encontrando um ponto de declive bastante acentuado,
mas no qual foram capazes de se manter em nível inferior ao da estrada.
Aguardaram alguns minutos. Nenhum ruído se produziu. Sem visão do oceano não
foram capazes de assistir o vento se anunciando no horizonte azul, mas ele não
tardou em chegar. Com a mesma força das demais ocasiões, soprou ruidoso sobre
suas cabeças, levando violentamente ondas de névoa. Soprava com força, mas não
trazia qualquer objeto, corpo ou criatura. O vento soprou para o distante Oeste
toda a névoa, devolvendo ao mundo o céu azul e a luz imponente do Sol.
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
#Vazio - A Fome das Sombras (2)
- Ainda quer ir, mesmo vendo o que veio de lá? Você acha que consegue
andar?
- Não temos outro lugar para ir. Se tudo nos empurra para o Oeste, melhor
dar um pouco de trabalho, não?
Valdomiro riu. Ajudou o homem ferido a se levantar e esperou que se
vestisse. Marcus notou que o guardião também estava ferido, mas bem menos que
ele. Tivera um pouco mais de sorte.
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
#Vazio - A Fome das Sombras
Tinha plena consciência tanto do objeto ao qual desejava remeter quanto da
posse de seu nome, mas naquele momento crucial, o nome se escondida em algum
canto de seu espírito. Semanas depois o nome brotou-lhe da alma, como se fosse
novo, mas revestido da frustrante certeza de que sempre estivera lá. Lembrou-se
da palavra “engrenagem” por conta destes eventos, pois eram análogos ao que
experimentava ali, sozinho no escuro. Por um momento sentiu-se possuidor de
todos os mistérios, conhecedor da causa primeira e do motivo último. Por um
breve momento soube. Mas o momento passou. Restava apenas uma sombra. Algum
tipo inexplicável de certeza de que havia tocado uma verdade, mas a verdade em
si, ignorava. Se dominasse o próprio corpo teria suspirado, mas nem isto lhe
foi permitido.
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