O homem de branco, congelado na porta, exibiu insegurança pela primeira vez
desde sua apresentação inicial. Era difícil determinar se seguiria com o diálogo
ou se sairia correndo daquele quarto. Parecia não ter o que dizer. Instantes
depois, recuperou a firmeza e decisão e pediu, com um gesto, que o paciente se
sentasse. Demorou quase um minuto em silêncio, como se escolhesse bem cada
palavra que viria a empregar e, finalmente, iniciou seu discurso:
- Em primeiro lugar, eu quero que tenha consciência que apesar de tudo,
algum progresso aconteceu, já que este foi seu menor período desacordado desde
que chegou aqui.
Calou-se, provavelmente esperando que o homem ferido questionasse sobre o
período, mas a pergunta não foi feita. Seguiu: