O homem o deixou sozinho no quarto por alguns minutos. Deitado ali, imóvel,
só e repleto de dúvidas, pareceram horas. Os pensamentos lhe vinham em ondas volumosas,
caóticas, dando a impressão de que não conseguia ler sua própria mente. Fechou
os olhos, procurando recordar do deserto, mas este parecia cada vez mais
distante, como um sonho sendo esquecido. Havia um relógio na parede imediatamente
aos pés da cama. Não podia vê-lo, mas o movimento constante do ponteiro dos
segundos, quase inaudível mesmo para quem se esforçasse para ouvi-lo, parecia a
firme batida de tambor que ocorria nos antigos navios a remo.