Não desejando transformar aquilo em um diário, optou pela terceira
pessoa. O texto fluía enquanto o tempo passava. A sala estava em chamas, tomada
pelas cores avermelhadas do sol poente, mas ele desprezava a fome que pedia
pelo jantar. Desejava escrever. As letras escorriam de suas mãos e alimentavam
o papel enquanto o ato criativo alimentava sua própria alma. Uma batida de
porta em alguma sala no corredor interrompeu seu frenesi. Percebeu ter escrito
mais de 20 páginas. “Deve bastar, por hoje!”. Revolveu as folhas e retornou à
primeira. Encostou-se com mais conforto no leito para verificar o que
produzira: