De perto pôde perceber que o estranho volume se tratava de um corpo,
agarrado ao toco de metal de tal forma que ainda se podia perceber seu
desespero pela vida. O corpo todo já estava ressecado como se estivesse a meses
sob o sol escaldante daquele deserto de um dia só. O couro seco agarrado aos
ossos e os trapos já desbotados davam aspecto de múmia ao defunto. Não fossem
as informações recebidas de seu próprio labirinto juraria que o homem morto
estava pendurado enquanto ele próprio caminharia na vertical. Esticou o braço e
tocou o corpo no abdômen, levando o corpo a se afastar um pouco e retornar em
seguida, balançando suavemente, sempre pendendo ao seu absurdo chão em algum
lugar na direção do poente. Percebeu que no pescoço do homem havia um objeto
metálico, o qual também “caía” para a direita do observador. Ficou se
perguntando se não seria aquela a origem dos reflexos observados no dia
anterior.