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segunda-feira, 10 de outubro de 2011

#Vazio - Outra Manhã

De perto pôde perceber que o estranho volume se tratava de um corpo, agarrado ao toco de metal de tal forma que ainda se podia perceber seu desespero pela vida. O corpo todo já estava ressecado como se estivesse a meses sob o sol escaldante daquele deserto de um dia só. O couro seco agarrado aos ossos e os trapos já desbotados davam aspecto de múmia ao defunto. Não fossem as informações recebidas de seu próprio labirinto juraria que o homem morto estava pendurado enquanto ele próprio caminharia na vertical. Esticou o braço e tocou o corpo no abdômen, levando o corpo a se afastar um pouco e retornar em seguida, balançando suavemente, sempre pendendo ao seu absurdo chão em algum lugar na direção do poente. Percebeu que no pescoço do homem havia um objeto metálico, o qual também “caía” para a direita do observador. Ficou se perguntando se não seria aquela a origem dos reflexos observados no dia anterior.