Não desejando transformar aquilo em um diário, optou pela terceira
pessoa. O texto fluía enquanto o tempo passava. A sala estava em chamas, tomada
pelas cores avermelhadas do sol poente, mas ele desprezava a fome que pedia
pelo jantar. Desejava escrever. As letras escorriam de suas mãos e alimentavam
o papel enquanto o ato criativo alimentava sua própria alma. Uma batida de
porta em alguma sala no corredor interrompeu seu frenesi. Percebeu ter escrito
mais de 20 páginas. “Deve bastar, por hoje!”. Revolveu as folhas e retornou à
primeira. Encostou-se com mais conforto no leito para verificar o que
produzira:
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
#Vazio - Outra Manhã (20)
Passou a imaginar se haveria qualquer conexão entre as duas realidades.
Concluiu que não valeria a pena fugir do hospital e caminhar para o Leste, uma
vez que não havia por ali qualquer movimento para o Oeste.
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
#Vazio - Outra Manhã (19)
- Então sou um poeta?
- Começo a duvidar de que esteja levando a sério esta nossa conversa?
- Pelo contrário. Estou achando tudo isto muito interessante!
- O fato é que não se tem omeletes sem quebrar os ovos! Você é, digamos,
uma criança que ignora o sabor da omelete! Eu também! A única diferença entre
nós é que você está quebrando os ovos.
- Gostei disto!
- Eu também!
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