O homem o deixou sozinho no quarto por alguns minutos. Deitado ali, imóvel,
só e repleto de dúvidas, pareceram horas. Os pensamentos lhe vinham em ondas volumosas,
caóticas, dando a impressão de que não conseguia ler sua própria mente. Fechou
os olhos, procurando recordar do deserto, mas este parecia cada vez mais
distante, como um sonho sendo esquecido. Havia um relógio na parede imediatamente
aos pés da cama. Não podia vê-lo, mas o movimento constante do ponteiro dos
segundos, quase inaudível mesmo para quem se esforçasse para ouvi-lo, parecia a
firme batida de tambor que ocorria nos antigos navios a remo.
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
#Vazio - Outra Manhã
De perto pôde perceber que o estranho volume se tratava de um corpo,
agarrado ao toco de metal de tal forma que ainda se podia perceber seu
desespero pela vida. O corpo todo já estava ressecado como se estivesse a meses
sob o sol escaldante daquele deserto de um dia só. O couro seco agarrado aos
ossos e os trapos já desbotados davam aspecto de múmia ao defunto. Não fossem
as informações recebidas de seu próprio labirinto juraria que o homem morto
estava pendurado enquanto ele próprio caminharia na vertical. Esticou o braço e
tocou o corpo no abdômen, levando o corpo a se afastar um pouco e retornar em
seguida, balançando suavemente, sempre pendendo ao seu absurdo chão em algum
lugar na direção do poente. Percebeu que no pescoço do homem havia um objeto
metálico, o qual também “caía” para a direita do observador. Ficou se
perguntando se não seria aquela a origem dos reflexos observados no dia
anterior.
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
#Vazio - Pela Manhã (3)
A luminosidade crescente permitiu-lhe perceber que estava a pouco menos
de 10 metros da elevada formação rochosa que dava origem à serra. Era possível
perceber que o aclive era acentuado, mas não chegava a ser um paredão, sendo
possível a subida. Percebia que a montanha era muito mais alta do que previra,
e que se estendia como uma muralha para o norte e para o sul, não sendo possível
ver onde terminava. Tomado de novo ânimo, correu em frenesi o espaço que
faltava, atingindo o sopé da montanha. Sem parar, iniciou a subida, na
esperança de encontrar algo relacionado ao brilho visto no dia anterior.
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