Algo rasgou sua calça e o arranhou na batata da perna direita. A dor, equivalente
à de um tiro de raspão, levou-o a emitir um gemido abafado. Os eventos que se
seguiram o fizeram desejar profundamente que fossem disparos de armas, mas não
eram. Sua expressão de dor foi abafada - insuficientemente, diga-se – por um
receio inconsciente de chamar a atenção, mas chamou. Imediatamente sentiu algo
agarrando-o no calcanhar da perna esquerda. O desespero impedia qualquer raciocínio,
ainda mais na ausência de algo para segurar. Não era possível identificar se eram
mãos ou garras, mas eram fortes, pois começaram a arrastá-lo para o lado –
suspeitou que fosse para o Oeste – com força suficiente para suspender do solo
metade do seu corpo, deixando-o na diagonal, com ombros, braços e cabeça ao chão.
Outros cortes começaram a ocorrer em suas pernas e costas, no sentido de seus pés.
Sentia trancos ao ser arrastado, além de ouvir alguns urros baixos.
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
#Vazio - Outra Manhã (13)
A perturbação na água estava mais distante do que parecia e após quase
trinta minutos de corrida na velocidade máxima permitida por cada um dos dois
corpos, caíram ambos de joelhos no chão.
- Não é possível. Essa coisa parece fugir da gente!
- Ou isso ou está mesmo muito longe.
Nenhum dos dois tinha fôlego para qualquer outra palavra. Ficaram ali por
alguns minutos, respirando, descansando e viajando cada qual em seus próprios
pensamentos. Habituado a acompanhar o sol, Marcus notou que este já havia
decido uns quarenta e cinco graus, o que indicava que era aproximadamente três
horas da tarde. Apesar do calor e da total ausência de nuvens, a situação não
era insuportável. A água das margens do oceano estava sempre fresca, compensando
a ausência de vento. A umidade do ar não era alta, facilitando a atividade
refrigeradora do suor. Marcus percebeu que Valdomiro se levantara, sendo claro
que já era hora de continuar em frente, ainda que nenhum comando para isto
tenha sido dado. Juntou-se ao companheiro e seguiram, ansiosos, mas bem menos impetuosos.
terça-feira, 22 de novembro de 2011
#Vazio - Outra Manhã (12)
Seguiram caminhando por quase uma hora, sem tecer qualquer comentário e
sem a mínima alteração na paisagem. Por vezes, um apertava o passo e, à frente
do outro, bebia água e molhava o rosto enquanto esperava ser alcançado. A cada
passo, com o suor brotava da pele também a dúvida se valia a pena o esforço. Marcus
imaginava que poderiam passar dias sem nada encontrar, se é que havia qualquer
coisa a ser encontrada, uma vez que não se podia perceber qualquer alteração na
paisagem à frente, enquanto a muralha se fundia com o horizonte. Como se
adivinhasse o pensamento do companheiro, Valdomiro quebrou o silêncio:
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