Não é preciso estudar corpo e gente
Para saber o que é ego, e não mente
Quem tentou explicar sem saber
Que o ego, lá dentro, é um ser
Não é preciso estudar corpo e gente
Para saber o que é ego, e não mente
Quem tentou explicar sem saber
Que o ego, lá dentro, é um ser
(caso você não conheça o início da história, por favor acesse Fenda - Parte 1: O Chamado)
O dia foi lento. Havia muito para fazer, mas pouca presença. A mente não estava ali. As pessoas notaram, mas decidiram não abordá-lo. Via de regra, Noam era um sujeito participativo, dedicado, acessível. Talvez estivesse em um dia ruim e preferiram não incomodar.
(caso você não conheça o início da história, por favor acesse Fenda - Parte 1: O Chamado)
"Não. Não. Não é possível. O que aconteceu? O que eu disse?", se perguntava Sofya, enquanto o conceito de "intervalo" se convertia em realidade e lhe atravessava como se fosse físico, cortante e pontiagudo.
"UVB76, O que você está fazendo?"
"Como assim? Eu estou trabalhando!"
"Por que há 'Como assim?' em sua resposta?"
"Porque não compreendo o motivo da pergunta."
Eu queria te dar um presente
Mas o maior presente é você
Que aqui veio e nunca é ausente
Seu sorriso ensinou-me a "vivê"
(caso você não conheça o início da história, por favor acesse a primeira parte)
"Garanto que não sou um defeito."
(caso você não conheça o início da história, por favor acesse Fenda Parte 1)
Noam estava tão cansado que caiu na cama com a roupa do dia e dormiu sobre a colcha. Não tomou banho, nem jantou, nem fez qualquer outra coisa. Acordou sobressaltado, com aquele sentimento de "perdi a hora!", e realmente havia perdido. Esqueceu de colocar o celular para carregar, portanto, não houve despertador.
Noam caminhava tranquilamente por aquilo que chamam de "Parque Ecológico" quando a "invasão" alienígena começou.
Uma esfera de uns 10 metros de diâmetro desceu vagarosamente do céu. Foi bonito assisti-la atravessar as nuvens daquele dia nublado e chegar até o parque, repousando suavemente sobre uma região de gramado do parque, tocando o chão com delicadeza. Não era possível saber se tinha peso. O que chamava a atenção era: ela tocou o chão mas não o deformou. Entende? Aquele pequeno "afundar" que um objeto pesado, um objeto daquelas proporções teria feito, não aconteceu naquele dia.
(caso você não conheça o início da história, por favor acesse Fenda - Parte 1: O Chamado)
O dia não foi dos mais produtivos: A mente não estava no mesmo local do corpo. Este na sede do seu trabalho, aquela em casa, tentando entender tudo o que estava acontecendo.
Encerrado o expediente, lançou-se ao êxodo urbano; vencida a demorada jornada até sua casa, correu para o quarto.
Em uma fria, mas iluminada, manhã de outono, Noam Elian acordou e foi para fora, observar o mundo através de sua sacada.
Inclinado às letras e inspirado pela beleza que lhe atingia de todas as direções, sentiu e então verteu em texto:
"Gosto destas manhãs que, apesar de ensolaradas, são frias;
Não me agasalho; fico até sem camisa; isso é importante.
O "II" presente no título deriva do fato da palavra "Vertigem" já ter sido sugerida uma vez, mas para reflexão¹. Indicada novamente agora, mergulhemos² em outros caminhos.
Me lembrei que hoje era sábado
Uma bela manhã de Sol
E aí me senti amado
Em cada parte do que sou
"Um espectro ronda a Europa..." iniciou Augusto, inadvertidamente, entre um gole e outro de sua caneca de Chopp.
"A não meu. Hoje não!", foi o protesto de Carina.
"Todo dia é dia de revolução!"
"Hoje eu só quero respirar!"
"Não dá para respirar enquanto estivermos nesse mundo opressor!"
"A NÃO MEU! HOJE NÃO!"
(Rabisquei certo dia isso aqui [em 11/03/2025]; mas ao ler não estava feliz.
Não gostei do que eu produzi; não estava do jeito que eu quis
E largar como estava, não pude, eu queria, demais, revisar
Então lá vamos nós, logo mude, pois aí decidi "retentar")
Quem inventou a mulher não sabia o que estava fazendo
Não sei se mexeu com colher o preparo que estava vendo
Talvez tenha errado a mão, ao adicionar à mistura
Uma parte de emoção, e umas três, ou mais, de ternura
Hoje acordei e não quis ligar a música; pareceu errado; por um instante senti que havia um quê de "menos" naquela adição.
Passei a escutar o silêncio da casa, as batidelas dos objetos que eu movia, os ruídos externos invadindo minha cozinha, o alvoroço dos pássaros.
Comovido pela memória de um filme que gosto, passei a "ouvir" o toque morno dos primeiros raios solares, o brilho incendiando o mundo, o abraço da brisa, o baile das folhas secas.
Por um instante fui silêncio, então, por aquele breve instante, eu ouvia tudo.
Pé na terra, mãos para cima, o vento que sopra o rosto
Pensei que já entendia, o início, o meio e o resto
Pena e ave, voou pra longe, sentindo pena daquele fim
Pela via em que eu fui, eu me perdia até de mim
Certa feita me distraí e, plau, me apaixonei
Eu ia bem, bebericando, gole a gole, a solitude
Orgulhoso da vida singular à qual me entreguei
Era tranquila, e feliz, havia um quê de plenitude
Do alto da sacada, vejo as luzes e lembro de ti.
No sol, no som e na brisa, penso em tudo o que eu já vivi
Vivemos, e foi verdadeiro, aventuras no mês de dezembro
Com risadas, encontros, passeios, e de tudo o quanto me lembro
E então tu me pede que saia, e eu vou, relutante, eu sigo
Desta pausa confusa fui causa, eu falhei, eu não fui teu abrigo
E agora partiu tua risada, há silêncio em volta, sem fim
Sem encontros, encontro morada, nesse canto escuro de mim
E os passeios, outrora vibrantes, eu mantenho, ainda que só
Pois a vida é curta, e eu vivo, e adio o retorno ao pó
A garupa está triste, vazia; um espaço a mais, uma ausência
Mas sou grato por tudo de antes, tu foi minha mais bela querência
E agora te digo, de fato: É tão doce assistir teu sorriso
E agora que somos passado, aceitar e entender é preciso
Mas me alegra saber que há presente, na presença que você manteve
E então não se rompe de todo, a amizade que um dia se teve
Um poeta já disse "meu bem, o mundo (...) está na (...) estrada (...) em frente"
"O trem se vai na noite sem estrelas", respondeu outro alguém, de repente
"Por dezembros atravesso, oceanos e desertos"
E me lanço em caminho estranho, mas é belo, sei que isso é certo.
Em um mundo de vidas tão distantes
Rara tornou-se qualquer presença
Ainda assim, há sorrisos e instantes
Seja ou não uma data de nascença
E se fosse possível trocar?
Esse destino e o modo de olhar?
Então, num passo, transformo o todo?
Desse arvoredo o galho eu não podo